domingo, 14 de agosto de 2011

O que é Psicoterapia Expressiva?

PSICOTERAPIA EXPRESSIVA - Método de tratamento

Na Psicoterapia Expressiva, a pessoa chega-nos com uma queixa, ou um conjunto de várias queixas e sofrimentos específicos, que deseja ver resolvidos, neste caso a dinâmica e os objectivos são outros, utilizam-se recursos expressivos com fins psicoterapêuticos, inseridos numa relação psicoterapêutica dinamizada por um técnico com formação específica, num espaço e setting também específicos, com regras e tempos bem definidos, visando facilitar a comunicação entre terapeuta e cliente.

O grande objectivo será facilitar a identificação, reflexão/elaboração e alteração de dinâmicas internas do sujeito. Exige um nível elevado de diferenciação por parte do psicoterapeuta expressivo, assente em diferentes construtos teóricos, que dependem da visão do profissional que a executa, podendo caminhar desde a abordagem Junguiana, Gestáltica, Comportamental, Psicanalítica, Antroposófica, Centrada na pessoa, Construtivista, Eclética, etc,

A Psicoterapia Expressiva, em grupo ou individual, visa a reestruturação ao nível da personalidade do cliente, através de um trabalho estruturado, caracterizando-se por um tipo de intervenção mais profunda, que investiga a história e o passado do cliente, para entender seus transtornos no presente.

A intervenção do Psicoterapeuta Expressivo, visa facilitar que o cliente se aperceba daquilo que lhe causa sofrimento e que consiga arranjar novas estratégias de intervenção para superar a crise, os problemas que o angustiam e lhe causam mal-estar. A relação estabelecida entre psicoterapeuta e cliente é baseada em principios de empatia, de confinça e proximidade, de forma ao clinete puder expressar-se livremente.

O Psicoterapeuta Expressivo utiliza a expressão integrada, de forma a optimizar o processo psicoterapeutico, auxiliando em diversas questões emocionais, relacionais dos seus clientes, como: resolução de conflitos e suas consequências, reestruturação emocional, superação de obstáculos, minimização de traumas, como abusos sexuais, traumas de guerra e/ou violações sexuais, superar obsessões, compulsões, anorexias, bulemias, transtornos depressivos, transtornos sexuais, apoio a processos de desintoxicação, e outros tratamentos que exigem uma intervenção mais profunda e individualizada.

Através da utilização dos mediadores expressivos, a tríade: Cliente/criação-Expressão/Psicoterapeuta comunicam de forma directa e não ameaçadora, cria-se um espaço lúdico securizante no sentido em que se permite o jogar, o brincar, representar e dramatizar, ao mesmo tempo que se incentiva uma participação mais activa do Cliente possibilitando maior envolvimento, favorecendo a expressão criativa do self, a exploração interna e a reflexão, possibilitando desta forma uma melhor compreensão da dinâmica do cliente.

Fonte: Vivenciarte

Terapia para a terceira idade


Idosos também precisam fazer terapia. Atualmente, muitos problemas que atingem pessoas mais jovens, como depressão e síndromes, por exemplo, também prejudicam a Terceira Idade. Além de remédios, os médicos têm recomendado tratamentos com psicólogos para que os resultados sejam mais rápidos e eficazes. No entanto, nem todo idoso concorda com este tipo de intervenção. Muitos apresentam certa resistência em fazer terapia, o que requer muito apoio e esclarecimento por parte da família e dos profissionais. A psicóloga Amanda Spinicci, de São Paulo, especialista em terapia para quem já passou dos 60, afirma que a maioria dos idosos resiste à idéia de tratar os problemas comportamentais. “A principal queixa é o fato da experiência de vida que tiveram. Ou seja, eles pensam que se não mudaram até hoje não irão mudar e a terapia acabaria sendo perda de tempo”, observa Amanda.

Ela diz que, na verdade, é preciso entender que a terapia para a Terceira Idade é uma psicoterapia de apoio, o objetivo não é mudar o idoso, e sim trabalhar as questões dessa fase da vida. Na maioria dos casos, o tratamento psicológico para o idoso ocorre motivado pelo interesse da família. É muito difícil o idoso sozinho querer fazer terapia. A iniciativa sempre parte de alguém da sua convivência que percebe que ele precisa de ajuda. Em geral, as queixas mais comuns referem-se a um estado depressivo conseqüente da morte de um companheiro, alguma doença ou cirurgia e mudança de casa ou cidade.

Processo adequado
Para cada fase do desenvolvimento humano o processo psicoterápico se diferencia. A Terceira Idade tem características, atitudes e pensamentos peculiares, e é nessa análise da vida do idoso que se baseia a terapia. Por isso, o tratamento é chamado pelos profissionais de psicoterapia de apoio. Antes, durante e depois o papel da família é fundamental. “O processo psicoterápico, para ser eficiente e ideal, necessita da participação do grupo familiar, sendo que a maior angústia do idoso é a dependência familiar e o medo do abandono. A família deve estar presente, entender essa nova fase e o novo modelo de estrutura familiar”.

Quando os familiares percebem que o idoso está precisando de ajuda terapêutica, devem conversar muito com ele sobre a psicoterapia, explicar o que é e quebrar preconceitos. “O idoso precisa sentir que a psicoterapia é para ajudar a viver com mais qualidade de vida, e não para isolar ou mudar. É um aliado”, diz Amanda. Em alguns casos, terapia em grupo e/ou a participação em atividades coletivas são indicados como primeiro passo para a cura de males mais graves.

Exercício ajuda o ‘psicológico’
A psicoterapia para idosos tem mais efeito quando aliada a uma atividade física. A afirmação é do fisiologista Vagner Raso, de São Paulo. De acordo com ele, os benefícios psicológicos da prática de exercícios aparecem entre duas e quatro semanas. “A busca do envelhecimento saudável depende muito menos de recursos financeiros elevados e de complexas fórmulas farmacêuticas do que as pessoas imaginam”, diz Raso. Ele afirma que além da ingestão moderada de álcool, a não adesão ao tabagismo, as visitas periódicas ao médico, uma boa qualidade de sono e um bom relacionamento inter-pessoal (amigos, comunidade, família) associados, principalmente, com a ingestão regular de alimentos saudáveis (frutas, verduras, legumes, fibras, restrição de gordura e de alimentos à base de farinha refinada, açúcar), a adoção de um estilo de vida fisicamente ativo contribuem para uma velhice mais tranqüila, em todos os sentidos.

A professora aposentada S.M.S, 55 anos, é uma das que melhoraram as relações depois de iniciar um programa de atividades físicas em uma academia. Ela conta que sentia-se sozinha e um pouco deprimida, o que já estava despertando preocupações em seus familiares. “Academia para mim é como uma terapia, pois me distraio, faço amizades e ainda cuido do corpo”, diz.

Fonte: Fabiano Ferreira

PSICOLOGIA CLÍNICA


Aparentemente a área considerada mais nobre na Psicologia é a clinica, pelo menos o
era épocas atrás. Agora, a Psicologia comunitária ocupa lugar de destaque. Se considerarmos
que os problemas ouvidos na clínica são oriundos do indivíduo e não da sociedade,
que leva o indivíduo a desenvolver seus problemas, neuroses, dificuldades, estaremos
eliminando uma determinação fundamental, pois se lidamos só com o psicológico,
como os psicanalistas gostam de dizer, lidamos com os sintomas.
Dentre os autores que gosto de estudar está Theodor Adorno, que diz que no momento que
se dá alta na psicoterapia o indivíduo adoece.
O indivíduo sai da alta consciente que o problema é dele, quando na verdade ele é gerado
por outra esfera. Walter Benjamim, no texto sobre alguns temas em Baudelaire, afirma que o indivíduo só pode ser circunscrito, como a Psicanálise propõe, a partir de um inconsciente consciente.
O século 19 é propício para o objeto da Psicanálise. O século 20 não mais. O nosso
objeto, do século 19 para o século 21, regrediu. Na medida em que a sociedade se torna
mais organizada, administrada, o indivíduo não progride.
Charles Baudelaire, poeta maldito das Flores do Mal, nos meados do século 19, para poder divulgar sua obra, sabia que o público existente não era mais sensível
à poesia lírica, porque o sujeito sensível ao lirismo tem de se entregar ao objeto, tem
de estar atento a algo que não seja a si mesmo. Naquela época o indivíduo era melancólico
e, portanto, a poesia deveria tratar de temas que gerassem sensibilidade no leitor.
Baudelaire tenta romper a insensibilidade dos leitores por meio de choques.
Em Além do princípio do prazer, Benjamim utiliza o conceito de escudo de Freud para dizer
que aquilo que nos fere não vem só de dentro do organismo, mas também de fora. A estimulação
é muito intensa e, se não tivermos alguma proteção, não aguentaremos. Uma
parte da consciência se torna inorgânica e rejeitamos boa parte da estimulação que vem
de fora. A ansiedade estaria presente para impedir que os estímulos que geram choque
possam entrar. Quando a ansiedade não está presente o choque penetra, gerando o
trauma.
A base da vivência é o choque, diversas experiências,diversos estímulos que não penetram
o indivíduo, não deixam marca. Nas grandes cidades a experiência coletiva foi se perdendo
e passa a restar a que é uniforme. A vivência, experiência empobrecida, toma o
lugar da experiência. A partir de meados do século 19, portanto, a experiência torna-se
difícil de ser vivida, dando lugar à vivência.
O indivíduo empobrecido é próprio do século 19. Baudelaire tinha como objetivo quebrar
e superar a vivência, mas perdeu a luta. Seu sonho era dar vida ao que não tem vida, à
massa, a multidão.No século 19, século do indivíduo dividido,surge a Psicanálise de Freud, que estuda a consciência e o inconsciente. Freud lida com o homem do século 19, parcialmente racional,a consciência, mas com a parte do egoum tanto quanto inconsciente. Na passagem
do século 19 para o século 20 ou, se preferirem,do capitalismo liberal para os monopólios
e oligopólios, nosso objeto, o indivíduo,também se perde. Se antes era possível
o indivíduo se constituir, em um termo que Horkheimer e Adorno vêm chamar de pequena
empresa psicológica, constituída por ego e superego, se do conflito surge a possibilidade,
mínima que seja, de liberdade com a sociedade dos monopólios, tal conflito não
mais existe.
A consciência moral não mais se forma, os indivíduos voltam-se tendencialmente para
fora, são heterodeterminados. Essa dura decisão que o indivíduo deveria tomar agora é
influenciada por outras instâncias inclusive corporativas, como sindicatos e meios de comunicação.
O século 20 retrata o fim da narrativa, a ausência do diálogo.
José Leon Crochík é psicólogo pela Universidade de São Paulo (USP), mestre em Psicologia
Social e doutor em Psicologia Escolar do Desenvolvimento Humano pela USP, e
livre-docente em Psicologia no Instituto de Psicologia da USP, onde também exerce o
cargo de professor titular na graduação e na pós-graduação do departamento de Psicologia
da Aprendizagem do Desenvolvimento e da Personalidade. Tem experiência na área
de Psicologia com ênfase na relação entre personalidade e sociedade, atuando principalmente
com os seguintes temas: Teoria crítica da sociedade, Psicologia social, Theodor
Adorno, Preconceito, Ideologia da sociedade industrial e Educação inclusiva.

Fonte: VII CONGRESSO REGIONAL DA PSICOLOGIA -
http://www.crp04.org.br/CRP2/File/JornalCRP-96-NET.pdf